terça-feira, 26 de julho de 2011

O outro lado da meia-noite - Sidney Sheldon


Pensava em Noelle agora e sentiu a mesma sensação indescritível que sempre experimentara perto dela, como se sua simples lembrança pudesse dissipar os anos que os separavam. Era uma fantasia romântica, naturalmente, pois nada poderia jamais trazer de volta aqueles anos.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Orlando - Virginia Woof


Por isso, Orlando e Sacha - como ele a chamava para abreviar, e porque esse era o nome de uma raposa branca, russa, que tivera em pequeno - criatura suave como a neve, mas com dentes de aço, e que o mordeu tão ferozmente que seu pai a mandou matar -, por isso ficavam com o rio para si. Aquecidos pela patinação e pelo amor, atiravam-se por alguma praia solitária, de margem orladas por amarelos juncos, e, envolto numa grande capa de peles, Orlando tomava-a nos braços e conhecia pela primeira vez- murmurava- as delícias do amor. Depois, findo o êxtase, e jazendo ainda, embalados num delíquio, sobre o gelo, falava-lhe dos seus outros amores e de como, comparados àquele, tinham sido de pau, de estopa, de cinzas. E, rindo-se da sua veemência, ela voltava outra vez aos seus braços, dando-lhe como prova de amor, mais um abraço. Maravilharam-se, então, de gelo se tivesse derretido som o seu calor, e apiedavam-se das pobres velhas que, não dispondo desses meios naturais derretê-lo, tinham que quebrá-lo com uma fria machadinha de aço. E depois, envoltos em suas peles de marta, falavam de tudo que há debaixo do sol: de paisagem e viagens; de mouros e turcos; da barba deste homem e da pele daquela mulher; de um rato alimentado à mesa pela mão dela; da tapeçaria que se agitava sem parar no salão da casa dele; de um rosto, de uma pluma. Nada era demasiado pequeno para a sua conversa; nada demasiado grande.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011


A pele de um branco quase diáfano se tornava amarela a medida e o sol se punha lá fora, a casa tornava se mais fria e a pele nua levantava os pelos do corpo suado, por entre os lençóis bagunçados. Os cabelos negros compridos espalhados na almofada, as pintas, os gestos, os modos, os detalhes. As somas dos dias, a rotina, o modo como me olhava. Era dez da manhã, lá fora uma chuva torrencial. Eu permanecia sentado em minha cadeira semi nu, com os dedos dos pés quase roxos, lia Gabriel enquanto ela vagava com os olhos por entre as telas do meu quarto. E eu imaginando como iria lhe escrever esta carta. Já se passaram dois anos desde a última vez que te vi, correndo por entre os carros, enquanto a chuva caia, formando as grandes possas d'água da calçada. E ainda nem sei o que escrever, fico preso nas palavras que nem existem, ainda não cabem, ficaram ali, grafadas nos livros, o passado saudoso, do seu sorriso tímido, seu olhar de dizeres. Nem sei se te invento, vou te imaginando na minha frente. A pele de um branco quase diáfano, que as veias se deixavam aparecer, despindo-se diante a janela anunciando que o sol já tinha ido embora.

segunda-feira, 11 de julho de 2011



Lay your head where my heart used to be
Hold the earth above me
Lay down in the green grass
Remember when you loved me...

sexta-feira, 1 de julho de 2011


O vento balançava as mexas de cabelos que caiam no rosto dela, enquanto eu sentado, frente ao espelho que ela se trocava, observava as curvas que formavam em sua cintura ao vestir a meia calça, a colocar o seu vestido verde.
Era uma tarde Outubro, talvez passasse a tarde a conversar, ou só observar-la, como se os anos nunca tivessem passado, como se a saudade retardasse os tantos meses que eu havia desaparecido da sua vida.
Eu podia ver o nervosismo tímido que ele tinha enquanto me olhava, passava a mão em sua barba mal feita. Eu olhava. Ele olhava, olhos se olhavam.
Talvez nunca quisera que esse dia chegasse. Lembro de um sonho, eu passando, você me remendando, eu então te olhava, só abraçava, tudo passava, as horas, as pessoas. Nada importava, e você sumia enquanto eu acordava para o trabalho. Com a saudade aguçada, uma ansiá estúpida de quer te ver.
Ele desceu as escadas, saiu pela porta sem despedidas, nem lamentos; enquanto ela parada continuava a se vestir frente ao espelho. O vento continuava a embalar os cabelos no rosto, foi então que acordou gelada e com frio, fechou a janela, enquanto via os dias lhe apontarem aquele eterno mês de julho.