quarta-feira, 22 de junho de 2011


De férias da faculdade.
E com preguiça de dizer adeus.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

O pequeno príncipe atravessou o deserto e encontrou apenas uma flor. Uma flor de três pétalas, uma florzinha insignificante….

- Bom dia – disse o príncipe.

- Bom dia – disse a flor.

- Onde estão os homens? – Perguntou ele educadamente.

A flor, um dia, vira passar uma caravana:

- Os homens? Eu creio que existem seis ou sete. Vi-os faz muito tempo. Mas não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam das raízes.

-Adeus – disse o principezinho.

-Adeus – disse a flor.

O pequeno príncipe escalou uma grande montanha. As únicas montanhas que conhecera eram os três vulcões que batiam no joelho. O vulcão extinto servia-lhe de tamborete. “De uma montanha tão alta como esta”, pensava ele, “verei todo o planeta e todos os homens…” Mas só viu pedras pontudas, como agulhas.

- Bom dia! – disse ele ao léu.

- Bom dia… bom dia… bom dia… – respondeu o eco.

- Quem és tu? – perguntou o principezinho.

- Quem és tu… quem és tu… quem és tu… – respondeu o eco.

- Sejam meus amigos, eu estou só… – disse ele.

- Estou só… estou só… estou só… – respondeu o eco.

“Que planeta engraçado!”, pensou então. “É completamente seco, pontudo e salgado. E os homens não têm imaginação. Repetem o que a gente diz… No meu planeta eu tinha uma flor; e era sempre ela que falava primeiro.”

Mas aconteceu que o pequeno príncipe, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas em direção aos homens.

- Bom dia! – disse ele.

Era um jardim cheio de rosas.

- Bom dia! – disseram as rosas.

Ele as contemplou. Eram todas iguais à sua flor.

- Quem sois? – perguntou ele espantado.

- Somos as rosas – responderam elas.

- Ah! – exclamou o principezinho…

E ele se sentiu profundamente infeliz. Sua flor lhe havia dito que ela era a única de sua espécie em todo o Universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!

“Ela teria se envergonhado”, pensou ele, “se visse isto… Começaria a tossir, simularia morrer, para escapar ao ridículo. E eu seria obrigado a fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela seria bem capaz de morrer de verdade…”

Depois, refletiu ainda: “Eu me julgava rico por ter uma flor única, e possuo apenas uma rosa comum. Uma rosa e três vulcões que não passam do meu joelho, estando um, talvez, extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito poderoso…”

E, deitado na relva, ele chorou.

E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia – disse a raposa.

- Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe, olhando a sua volta, nada viu.

- Eu estou aqui – disse a voz, debaixo da macieira…

- Quem és tu? – Perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita…

- Sou uma raposa – disse a raposa.

- Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste…

- Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa – disse o principezinho.

Mas, após refletir, acrescentou:

- Que quer dizer “cativar”?

- Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?

- Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer “cativar”?

- Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?

- Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?

- É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. Significa “criar laços”…

- Criar laços?

- Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

- Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…

- É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra…

- Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.

- A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito – suspirou a raposa.

*dá vontade de colocar o livro todo aqui*

sexta-feira, 10 de junho de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011


Sempre peço a Deus, sem certeza de que seja realmente isto a minha vontade, de que esse dia nunca chegue. De que te encontre de repente, sem conferir o grau da saudade, nem horário marcado, nem o sorriso estampado, nem o cheiro das tuas lembranças me saindo pelo poros, nem o tremor que sempre tenho por dentro, enquanto você me olha, me lê por dentro.
Talvez eu faça uma reza mais braba.
Um novena dobrada.
Um jejum de quarenta dias.
Ou quem sabe, eu morra com essa agonia.
Eu sei, que se acaso nada disso for embora, eu te guardo novamente na memória, nos meus segredos que nunca digo.
Pois eu sei que já virou habito essa saudade estranha que sinto.

quarta-feira, 1 de junho de 2011


Nunca fui a Colombina muito menos a Dulcinéia Del Toboso de Quixote.
Já fui a possuída Sierva Maria de Caetano. Nas estórias de Gabriel o colombiano.
Chorei com Liesel do Markus Zusak.
Tive que escolher como Gjorg do Ismail Kadare.
Fui a Sabina de um Fraz do Milan Kudera, durante longos e eternos dias na minha vida.
Hoje sou uma infinidade de pedaços alheios, soltos em palavras, que alguém disse, escreveu, leu... cantou para mim.
Hoje ainda guardo na memória, uma saudade com cheiro de livros velhos. Umas músicas em discos riscados, com dias frios diferentes dos de hoje.
Quando comecei a escrever tive medo, de que no fundo gostava de sofrer um pouco.
Eu me sentia viva nas palavras, nos textos que me vinham com tanta facilidade, enquanto eu achava que a saudade era o medo de ter por perto.