
Quando a ocupação produz amnésia nos amores furtivos,
Do que me invade por dias sem o menor aviso.
Por vezes me pergunto se um dia vou desamar.
Se pudesse escolher?
Já o teria feito.
Não sei se te amo. Ou se invento
Deus sabia do esforço feito por Fermina Daza para não acompanhá-la quando a prima foi conhecer Florentino Ariza na agência do telegrafo. Ela também teria gostado de vê-lo outra vez para confrontá-lo com suas dúvidas, falar com ele a sós, conhecê-lo ao fundo para estar segura de que sua decisão impulsiva não ia precipitá-la em outra mais grave,que era capitular na guerra pessoal com o pai. Mas foi o que fez no minuto crucial da sua vida, sem levar em conta para nada a beleza viril do pretendente, nem sua riqueza lendária, nem sua glória precoce, nem nenhum de seus méritos reais, e sim aturdida pelo medo da oportunidade que lhe escapava e da iminência dos vinte e um anos, que era seu limite confidencial para se render ao destino. Bastou-lhe esse minuto único para assumir na decisão como estava previsto nas leis de Deus e dos homens: até a morte. Então se dissiparam todas as dúvidas, e pôde fazer sem remorsos o que a razão lhe indicou como mais descente: passou uma esponja sem lágrimas por cima da lembrança de Florentino Ariza, apagou-o por completo, e no espaço que ele ocupava em sua memória deixou que florescesse uma campina de papoulas. A única coisa que permitiu a si mesma foi um suspiro mais fundo que de costume, o último: "Pobre Homem!"