Recebi este poema em uma das minhas escapadas na internet, na aula de PHP.
É tão sensível e delicada quanto a pessoa que me mandou.
.Mayara. és uma das Flores mais linda do meu jardim.
"Por ti junto aos jardins recém-enflorados me doem os perfumes de primavera.
Esqueci teu rosto, não recordo de tuas mãos, de como beijavam teus lábios?
Por ti amo as brancas estátuas adormecidas nos parques, as brancas estátuas que não têm voz nem olhar.
Esqueci tua voz, tua voz alegre, esqueci de teus olhos.
Como uma flor a seu perfume, estou atado à tua lembrança imprecisa. Estou perto da dor como uma ferida, se me tocas me maltratarás irremediavelmente.
Tuas carícias me envolvem como as trepadeiras aos muros sombrios.
Esqueci teu amor e não obstante te adivinho atrás de todas as janelas.
Por ti me doem os pesados perfumes do estio: por ti volto a espreitar os signos que precipitam os desejos, as estrelas em fuga, os objetos que caem."
Um Amor de Pablo Neruda - do livro: Para Nascer Nasci

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A gente acaba por esquecer, não por querer, não sei explicar também o por que.
Mas a gente esquece.
As vezes me pego pensando, tentando recordar de detalhes.
Forma das mãos, o olhar, o movimento da boca, ou só pela forma de se deixar. ali. a sorrir, a sonhar, ou ficar só pra conversar.
Mas acaba por se ver meio que de amnésia, catando as migalhas das lembranças que nos sobram pelo caminho.
Mas são sempre pedaços. Fragmentos.
Eu me recordo com carinho de coisas simples, mas muito significativas pra mim. (Sou do tipo que não muito preciso para ser feliz).
Mesmo que não me lembre de forma tão nítida do teu rosto, cá esta ainda a sobra do passado. Mesmo que olhe uma foto tua, é como se aquele não fosse você.
Não sei se é por que gostava de te enxergar com as pontas dos dedos, de olhos fechados, tentando te ler, de um jeito tão profundo que pudesse sentir a zabumba que bate no peito quando já não se tem mais o que falar. E só o sorriso fica no ar.
Esperando mais uma vez, a hora de amar.
E por mais que a saudade, a junção de tanto outros sentimentos, te faça sentir mais vivo, feliz por um pouco que viveu de tudo aquilo.
Aquele estase, meio que angústia, mas que te faz ver o céu mais azul e o dia mais lindo só de ouvir aquela música. Ou o recordar de alguma conversa esquecida.
Se pegar sorrindo, mesmo que não sabia o que fazer ou guarda do que sobrou de tão pouco que foi.
Mesmo que não se lembre, mas ainda se sente.
De forma tão intensa e viva. Que dá medo.
É tanto e tão pouco, que parece não existir.
Quase indescritível. E quando se tenta descrever, fica assim essa confusão de palavras, opostas, limitadas.
Ainda me sinto pequena ao falar de você.