
Me deixava ali de olhos fechados, sorrindo para o ar. Me sentindo amada, sendo observada por teus olhos que me fitavam, podendo sentir o seu sorriso, a tua ofegante respiração. No silêncio da casa, o som surdo, só sentido, ritmo das batidas que ecoavam do peito, do teu peito, do meu peito.
Nos deixamos assim a brincar com os dedos, enlaçando, soltando, desejando um ao outro de um jeito sossegado, mas tranquilo e menos afobado, bem diferente do que tivemos em nosso passado.
Ficamos assim esperando o desejo do outro, o termino da ansiedade por um beijo, por mais um "senti saudade", a vontade de suas mãos em minha cintura, desejando que o mundo acabasse em amor, porque de tudo ali já nos bastava.
E nada foi igual, foi melhor do que se imaginava, e meio que sério, meio que brincando fizemos planos, dos amanhãs esperados com ansiedade de um amor que nem sabe se é verdade.
Senti te amar, senti toda a sua leveza em mim, o peso do amor que sufocava por dentro que fazia da minha respiração um compasso cansado, quase que parado.
E toda aquela "coisa" sempre sentida nunca acabada só adormecida. Solta sem medo de ser descoberta, com os olhos assustados ou boca seca.
Nada mais importava, era o céu em nós.
Me senti morrer em teus braços, de tanto amor que não cabia.
E ficamos assim até recordar o tempo se finda, que amanhã tem trabalho, que na sua casa tem muriçoca, passe repelente.
Que o teu beijo é o melhor, me deixa dormente.